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A Série Mecanismo da Netflix e a Telefonia #1

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o que a Série Mecanismo da Netflix e a Telefonia tem em comum desde a privatização

A Série Mecanismo da Netflix e a Telefonia #1

“A vida imita a arte muito mais do que a arte imita a vida”.

Oscar Wilde

Qual a fronteira separa a ficção da realidade?

Há algum tempo, obras de ficção ocupam o imaginário popular. Ademais, independentemente do espetro político é inegável a existência de um Mecanismo, afinal ele também está na Telefonia Nacional ainda mais por se tratar de Terra Brasilis.

A privatização da Telebrás – Mas por que?

Por certo àquela época não havia um plano definido pelo Governo Federal para o empregar devidamente o capital nacional e estrangeiro nas telecomunicações. Inegavelmente a Telecom estava de joelhos.

Portanto, em 29 de julho de 1998 ocorreu a privatização da Telebrás pelo valor de 22,05 bilhões de reais.

Ao contrário do que muitos pensam, a privatização da Telebrás foi benéfica, uma vez que o setor de telecomunicações estava muitíssimo vulnerável não só a diversas tecnologias, como também ao capital externo.

Fator Tecnologia

Certamente não havia aparato político e financeiro no Brasil que desse ao consumidor, quer a curto, quer a médio prazo uma moderna e acessível infraestrutura de telecomunicações.

Sob o mesmo ponto de vista tecnológico foi válida a privatização, afinal quem não se lembra do prazo de espera e do preço absurdo para uma linha fixa?

Fator Econômico

Sob o ponto de vista econômico, as ações da Telebrás no período da privatização valiam bem menos na bolsa de Nova York em relação ao ano anterior.

Era mesmo a hora de privatizar? Para o Presidente Fernando Henrique Cardoso sim, pois o dinheiro era para equilibrar as contas públicas e criar programas sociais.

A principal vantagem da Privatização (?)

Mas quem não se lembra de Eduardo Cunha no comando da antiga TELERJ por indicação de Collor?

A princípio, do ponto de vista técnico, a vantagem era que com a privatização da Telebrás, a mesma não teria espaço para partidos políticos e nem mais loteamento de cargos entre os mesmos, certo?

Ledo engano, pois com a privatização, os loteamentos de cargos e negociatas só mudariam de lugar.

Analogamente os cães são sempre os mesmos, só muda a coleira.

A Série Mecanismo da Netflix e a Telefonia #1

O conturbado arremate das Teles

Parece praxe no Brasil as “manobras” quando se envolve estatais, partidos políticos, grandes corporações e operadores financeiros.

Só para exemplificar, em 1998, os fundos de pensão sucumbiram aos bilhões no leilão da Telebrás.

Inegavelmente, ainda hoje, os fundos de pensão são alvos fáceis não apenas de partidos políticos, como também de operadores de esquemas. Por isso, os fundos de pensão possuem déficit na ordem de bilhões R$.

Brasil Telecom

A Tele Centro Sul – depois renomeada de Brasil Telecom – foi arrematada pelo grupo do Banco Opportunity, Telecom Itália e “fundos de pensão” (PETROS, PREVI e FUNCEF) por R$ 2,07 bilhões.

Logo depois, a ineficiência da Brasil Telecom ficou notória, uma vez que em 29/07/2002, os papéis preferenciais da companhia amargavam seu pior desempenho na Bovespa, no valor de R$11,06.

O Banco Opportunity e seu controlador Daniel Dantas foram alvos Operação Satiagraha em 2008. Dantas foi preso, entretanto não ficou muito tempo na cadeia, graças a um habeas corpus do Exmo. Ministro Gilmar Mendes.

Vale lembrar que da Privatização (1998) até a posse de Lula em 2003, Daniel Dantas nadava de braçada afinal, ele ara o queridinho do PSDB.

Telemar / OI

A Tele Norte Leste – depois renomeada de Telemar – foi arrematada pela AG Telecom por R$ 3,43 bi. A AG Telecom pertence ao Grupo Andrade Gutierrez envolvido na Lava Jato.

Na data do leilão, o Grupo Andrade Gutierrez gerou dúvidas ao Governo Federal sobre sua capacidade de honrar os compromissos. Ainda assim o presidente da AG Telecom se comprometeu a investir R$ 10,5 bi, pois era necessário cumprir as metas de universalização dos serviços.

O Grupo AG Telecom investiu timidamente. confirmando logo depois as dúvidas do Governo. Em seguida, a Andrade Gutierrez Telecom realizou alterações na sua composição acionária para continuar operando.

Grampos telefônicos

Semanas após a privatização houve a divulgação de gravações por meio de grampo ilegal em telefones do BNDES.

Isto levantou suspeitas de esquemas para favorecer o consórcio do Banco Opportunity (Daniel Dantas) no leilão da Tele Norte Leste (Telemar).

A Criação da Anatel

Nesse interim, o Brasil passou de provedor de serviços para regulador.

Altamente politizada, a Agência Nacional de Telecomunicações foi criada em 1997, sob a Lei Geral das Telecomunicações Brasileiras, como uma agência reguladora.

A ANATEL é uma autarquia, não apenas administrativamente independente, como também financeiramente autônoma. Ademais, não está subordinada hierarquicamente a nenhum órgão de governo.

A sociedade é quem fiscaliza a Anatel entre outros órgãos de controle, por exemplo o Tribunal de Contas da União.

Embora seja uma agência reguladora, o incentivo à concorrência é a atribuição mais notória na ANATEL.

Estrutura do Conselho Diretor da Anatel (2º trimestre 2018)

Conforme citamos acima, o fatiamento político só mudou de lugar. Analogamente é a dança das cadeiras.

Presidência

Engenheiro Juarez Martinho Quadros do Nascimento. Ministro das Comunicações de 2002 a 2003 no Governo FHC. Precedido por Pimenta da Veiga (PSDB). Deputado Miro Teixeira (PDT) sucedeu Juarez Quadros já no Governo Lula. Eunício Oliveira (PMDB presidente do Senado Abril 2018) sucedeu Miro Teixeira.

Vice Presidência

Ex-Senador Aníbal Diniz (PT) indicado pelo senador Valdir Raupp (PMDB-RO). Em dezembro de 2017, o Presidente Michel Temer nomeou-o como Vice-presidente. Aníbal Diniz foi suplente do senador Sebastião Viana (PT).

Conselheiros

Emmanoel Campelo de Souza Pereira. Advogado e ex Conselheiro Nacional de Justiça nos biênios 2012-2014 e 2014-2016. É filho de Emmanoel Pereira, ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST). A indicação do conselheiro foi cota do senador Garibaldi Alvez (PMDB-RN) e do ex-ministro Henrique Eduardo Alves (PMDB) preso pela Lava-Jato.

Leonardo Euler de Morais. Economista, funcionário de carreira da agência e especialista em regulação.

Otávio Luiz Rodrigues Júnior, advogado e funcionário de carreira da Advocacia Geral da União. Foi consultor jurídico do Ministério das Comunicações. Dr. Otávio Luiz, na sua posse, disse muito acertadamente que as operadoras de telefonia não podem ser vistas como somente fonte de arrecadação.

Conselhos de usuários

Formado por cidadãos brasileiros e representantes de órgãos e entidades de defesa do consumidor possui caráter apenas opinativo.

Os conselhos são mantidos pelas prestadoras de serviços de telefonia com mais de 1 milhão de clientes.

Os sites que listam os conselhos de usuários das Prestadoras normalmente apresentam erro ou estão inacessíveis.

Quem financia a Anatel

As fontes de financiamento da Anatel contam não apenas com recursos orçamentários, como também os créditos suplementares.

Anatel contou com orçamento de R$613 milhões (2018) e R$ 607 milhões (2020) sendo mais de 60% gastos com pessoal.

FISTEL (Fundo de Fiscalização das Telecomunicações) e o FUST (Fundo de Universalização) deixaram de fazer parte do financiamento da Anatel.

O FIST, FUST e FUNTTEL não deixaram de existir como impostos nos serviços de telecomunicações no Brasil. Juntos arrecadam valores na ordem de bilhões de reais.

Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações

A ANATEL possui forte de dependência do extinto ministério das Comunicações, que em 2016 passou pertencer ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações cujo ministro era Deputado Gilberto Kassab do PSD, partido da base do governo Temer.

O PSD possui (maio/2018) 5 pessoas na lista do Exmo. Ministro do STF Dr. Edson Fachin.

Quem não se lembra da manobra de Kassab em Janeiro de 2017 para limitar a franquia de internet banda larga fixa. A quem isso interessava?

A formação da Super Tele Nacional (Cartel??)

Quem não se lembra da politica de formação de “campeões nacionais” do governo Lula para estimular a existência de gigantes com recursos do BNDES. Para exemplificar, a JBS foi fruto desta política.

A OI/Telemar consolidou enfim, em meados de 2008 a fusão com a Brasil Telecom. Para que o negócio se concretizasse, Lula surpreendente alterou POR MEIO DE DECRETO, o Plano Geral de Outorgas da Anatel.

O real motivo da fusão Oi / Brasil Telecom

Segundo especialistas, a fusão serviu acima de tudo para o governo federal encobrir o real motivo: Acabar com a dura disputa judicial entre os fundos de pensão (Previ, Petros, Funcef), o banqueiro Daniel Dantas dono do Opportunity, e os sócios da Telemar (Carlos Jereissati e Andrade Gutierrez).

Quanto custou a formação da SuperTele?

Em 2008, a transação foi na ordem de R$ 5.8 bilhões, OBVIAMENTE com recursos de terceiros: BNDES, Banco do Brasil e fundos de pensão (Previ, Petros, Funcef).

Que manobra bem costurada! Com uma taca econômica/social o governo federal conseguiu, por exemplo:

  • Armistício e retirada de Daniel Dantas de cena por R$ 1 bilhão. Dantas era antigo desafeto do PT e nadava de braçada junto com o PSDB, desde a privatização em 1998.
  • Mudança do PGO para realizar a fusão.
  • Mais poder aos novos barões da Telecom, afinal a Andrade Gutierrez tinha sido um dos maiores financiadores da campanha do PT em 2006.
  • De forma especulativa, esta manobra mandou as ações ordinárias (ON) entre 2008 e 2009 às nuvens na Bovespa, acalmando os nervos no setor e no mercado financeiro.
  • Definitivamente enriqueceu acionistas, especuladores e rentistas de ações ordinárias com informações privilegiadas do setor.

Ações Ordinárias operadora OI

A queda da SuperTele – Oi Brasil Telecom

Eficiência operacional e investimento são certamente antagônicos ao Mecanismo e a Corrupção. Prova disto é que o falacioso sonho populista de uma SuperTele durou em torno de 5 anos.

Por consequência da ineficiência, em 2013 a Portugal Telecom adquiriu o controle da Oi.

Pobre Oi, logo após adquiri-la os “gajos” da Portugal Telecom transferiram aos poucos seu endividamento para a Oi.

Mas por que criar uma “SuperTele campeã nacional” para competir contra Telmex e Telefônica e em seguida entregá-la a Portugal Telecom?

O flerte com os gajos e entrega a Portugal Telecom

Quase 5 anos antes da criação da SuperTele, os dirigentes do PT e PTB já negociavam contribuições da Portugal Telecom. Tudo com anuência do Ministro José Dirceu.

Lula recebeu em 2004 executivos da Portugal Telecom no Palácio do Planalto. Além disso, durante 2004 e 2005, Delúbio Soares e o Operador Marcos Valério viajaram em várias ocasiões a Lisboa.

Não só é falaciosa a estratégia populista de supercampeãs nacionais, como também o argumento anarco-liberal que defende o “privatiza tudo”, pois o mecanismo está em toda parte!

A Série Mecanismo da Netflix e a Telefonia

Confira a Parte 2 em breve do Mecanismo na Telefonia Nacional, onde abordaremos as politicas e estratégias das Teles, seus envolvimentos em operações policiais, evasão de divisas, os perdões de multas e o modus operandi de seus parceiros agentes autorizados.

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